Trem: Não há lugar melhor para "vender o peixe". Na realidade o peixe é citado não ao pé da letra, literalmente - apesar da possibilidade dessa venda acontecer dentro de um vagão de trem - mas sim, como uma forma de usar esta velha expressão para dar a conotação de vender qualquer coisa, a qualquer preço, em qualquer lugar, de maneira próspera. Diariamente os indivíduos são bombardeados por infinitos estímulos de compra e consumo e tem uma constante exposição às marcas, de diferentes segmentos e grau de conhecimento. São produtos, produtos e mais produtos.
PIPOCA DOCES LIVROS GULOSEIMAS UTILIDADES ADEREÇOS UTENSÍLIOS FERRAMENTAS CDS DVDS ACESSÓRIOS BEBIDAS ÍTENS DE ARMARINHO CHAPÉUS GUARDA-CHUVAS PRODUTOS NATURAIS PRODUTOS DE BELEZA ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS ARTESANATO MODA (...)
No trem é possível ver desde abridores de garrafa sem marcas à caixas fechadas de "Danone" que o amigo ambulante faz questão de dizer que parece roubado, mas que não é! E frisa para a clientela a qualidade e tradição da marca, além, é claro, do mais importante: o prazo de validade. É um pouco do bichinho do marketing e da propaganda que morde esses vendedores e os inspira a "vender o seu peixe", como dito no início, de maneira incisiva e persuasiva.
Todas as técnicas estudadas e repassadas nas salas de aula de um curso de publicidade e propaganda parecem que entram em conflito dentro de um vagão de trem, a mais ou menos 60km por hora, num balanço constante e com sons vindos de todos os lados. São marcas, designs, cores, contrastes, embalagens, frases feitas e apelos de venda que vão desde apresentar o produto apenas esticando-o em direção ao passageiro até o anúncio em gritos do tipo: SENHORES! HOJE O CAMELÔ TRAZ O MAIS NOVO LANÇAMENTO DA NESTLÉ... Tem até criação de slogan: PIPOCÃO É 50... CAFÉ DA MANHÃ, ALMOÇO E JANTA; ou então JUJUBA DE FRUTA É 50... O PASSATEMPO DA SUA VIAGEM. E por aí vai, e a partir daí começa a venda. Isso quando não aparecem demonstradores, como num ponto de venda, num supermercado, por exemplo, que oferecem degustação do produto à troco da relação compra e venda.
Da Central à Santa Cruz, as marcas seguem firmes e fortes. Constantes. Visíveis. Intermináveis - Mesmo com a ação dos agentes de controle! E é por isso que elas sobrevivem: estão presentes a todo tempo, em todo lugar, até mesmo no vagão de um trem. Assim como num shopping, onde a concentração de lojas e marcas é massificante e intensa, no trem é possível observar dezenas delas. Do bom ao ruim. Do novo ao velho. Do famoso ao desconhecido. O mundo das marcas é vivo e também se fortalece nos trilhos espalhados pelo Rio de Janeiro. Não precisa procurar muito, basta embarcar numa viagem de trem e esperar que elas cheguem até você.
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